“Os dias vão seguir da forma costumeira e ficaremos bem.” Ela sorriu com um ar desesperado. Todavia concordava plenamente. Ele falava muito do que não acreditava, entretanto via-se sincero consigo mesmo. A armadilha do primeiro encontro cativava lentamente duas presas. Ele a fazia rir, mas a desesperança que ela obrigara a si mesma permanecia inabalada. Os dias seguiriam da forma costumeira e ambos ficariam bem, exceto pelo fato de terem se encontrado. O desfecho é indiferente. A armadilha fez de ambos cativos.
28 de ago. de 2011
2 de ago. de 2011
lúbrico
pelos,
acenos,
acentos,
sussuros.
gritos
e falta de ar.
ensurdecedor ruído
movimento em falso.
calafrio
e ar rarefeito.
hipotermia,
movimentos furtivos.
da muita prática, pouca habilidade.
do sangue, o gozo.
do gozo, o tédio.
do tédio, sussurros.
um show flamejante para uma plateia vazia.
toques trocados e verbos reduzidos.
pouco falo.
ritumbar de um tambor de molas.
ressoar de um trovão sem lustre.
carnaval amanhecido
e samba triste.
palavras cruzadas incompletas,
dicionário de onomatopeias.
carnificina sangrenta
e puro deleite.
espoliação do direito pleno,
e profanação da injustiça.
coração,
pênis,
pedra
e vazio.
acenos,
acentos,
sussuros.
gritos
e falta de ar.
ensurdecedor ruído
movimento em falso.
calafrio
e ar rarefeito.
hipotermia,
movimentos furtivos.
da muita prática, pouca habilidade.
do sangue, o gozo.
do gozo, o tédio.
do tédio, sussurros.
um show flamejante para uma plateia vazia.
toques trocados e verbos reduzidos.
pouco falo.
ritumbar de um tambor de molas.
ressoar de um trovão sem lustre.
carnaval amanhecido
e samba triste.
palavras cruzadas incompletas,
dicionário de onomatopeias.
carnificina sangrenta
e puro deleite.
espoliação do direito pleno,
e profanação da injustiça.
coração,
pênis,
pedra
e vazio.
11 de jul. de 2011
silencioso e branco como a bruma
o colírio natural
era desperto
sem necessitar
contorcer a face.
a lubrificação
de seu rosto
era alcançada
por leves pestanejadas.
os dias cinzas
o cercavam
pouco importava
pois perdera a força.
por sua barba
escorriam gotas de orvalho
produzidas
pelo frio de seus dias.
era desperto
sem necessitar
contorcer a face.
a lubrificação
de seu rosto
era alcançada
por leves pestanejadas.
os dias cinzas
o cercavam
pouco importava
pois perdera a força.
por sua barba
escorriam gotas de orvalho
produzidas
pelo frio de seus dias.
1 de jul. de 2011
ácido gástrico
o relógio
gira como
passadas
arrastadas:
há necessidade
de mover-se
mas a preguiça
ou o tédio
prendem
o corpo
ao solo
e um impulso
vindo
seiládeonde
nos coloca
para frente
de forma
inevitável.
o alcance não é premeditado, entretanto, a ânsia consome.
um vômito seria a forma fugidia de livrar o torpor do estômago.
dá-se o fulgor de forma semelhante a uma gastrite:
o calor derrete as paredes lentamente e para sempre.
gira como
passadas
arrastadas:
há necessidade
de mover-se
mas a preguiça
ou o tédio
prendem
o corpo
ao solo
e um impulso
vindo
seiládeonde
nos coloca
para frente
de forma
inevitável.
o alcance não é premeditado, entretanto, a ânsia consome.
um vômito seria a forma fugidia de livrar o torpor do estômago.
dá-se o fulgor de forma semelhante a uma gastrite:
o calor derrete as paredes lentamente e para sempre.
28 de jun. de 2011
Empobreço embebecido para a justificação de minha alma
Eis o que se conta sobre Ricardo Peixoto: morrera aos quarenta anos de idade após ter vivido uma vida bem-sucedida profissionalmente, porém solitária. A ele foi dedicado um velório pomposo com muitos presentes, porém poucos amigos. Poucas palavras foram ditas para se referir à sua vida e para expressar sobre a sua atual ausência. O seu túmulo adentrava a masmorra de seus familiares muito conhecidos na sociedade e em pedra era esculpido seu nome abaixo do nome de seus pais seguido de seu ano de nascimento e morte. Notava-se claramente a presença de frases de impacto nas esfinges de suas três gerações de ancestrais que habitavam as lápides circundantes, entretanto nada era dito sobre Ricardo. Diziam ser uma morte prematura para quem vivia o auge de sua produtividade, mas poucos sabiam do mal que o assolara meses antes de sua morte.
Ricardo vinha de uma família tradicional intelectual de sua cidade. Cresceu em meio a peças teatrais, concertos musicais, rodeado de estantes de livros de todos os tipos. Falava três idiomas ao principiar sua adolescência e viajou grande parte do mundo ainda muito moço. Como era esperado, teve uma carreira brilhante. Principiou a faculdade com dezesseis anos e se formou muito cedo. Sua família era composta por artistas, filósofos e pensadores muito respeitados. Contrariamente, Ricardo estudou publicidade, mas isso não impediu de conquistar o orgulho familiar, apenas o consideravam um bocado medíocre secretamente.
Antes de completar trinta anos já havia aberto sua própria empresa e dotava de um prestígio nacional por ser muito criativo em criar propagandas com jargões que eram repetidos em todos os âmbitos da sociedade, quase que, maquinalmente. Trabalhava muito e era extremamente bem-sucedido, mas carregava um vazio muito grande dentro de si apesar de tudo.
Tecia relações com diversas mulheres. Durante a primeira parte de sua vida, havia sido muito reservado. Teve sua primeira namorada ainda muito jovem, com a qual permaneceu por cinco anos sem conhecer outras pessoas. Quedava-se absorto no trabalho e a companhia dela era um complemento para seus momentos de descanso. Ao ter a vida consolidada, viu que não necessitava mais de sua companhia e após isso não soube mais como se entregar a alguém, mas pouco lhe importava. Dividia a cama com um novo alguém diferente quase todas as noites, mas na manhã seguinte enojava-se de si próprio e da pessoa que o acompanhava. Não que essas mulheres não fossem belas ou pouco interessantes, entretanto não sabia mais como sentir qualquer coisa.
A sua família cobrava valores burgueses dele, contraditoriamente. Perguntavam sobre casamento, filhos, estabilidade. Ele dissimulava com frases feitas alegando haver tempo e outras prioridades e que, ademais, não havia motivos para precipitar-se, apesar de saber que o tempo pouco mudaria suas convicções.
Certo dia ouviu uma anedota de um mendigo pregador que lhe pedia esmolas ao mesmo tempo em que este sacudia uma bíblia ao ar e falava palavras com pouco sentido. Ricardo guardou uma pequena frase que o perseguiu até seu último dia: “de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?” Sentiu o ar rarefeito e jogou algumas notas no chapéu que o pedinte deixara jogado ao chão e correu sem direção alguma esbarrando nos transeuntes.
Sua semana fora perdida. Alegou estar indisposto e não foi à agência nenhum dia naquela semana. Um peso tomou Ricardo e ele perdera a vontade de fazer qualquer coisa útil. Matutava sobre a frase jogada em sua face e no ar pairava seu desconforto perante a apunhalada.
De um lapso de consciência encontrou um alívio instantâneo: iria morrer, precisava elaborar um epitáfio. Pensou consigo mesmo “tarefa simples, já que tenho como profissão este tipo de elaboração”.
Via seus dias se encaminharem rapidamente para o derradeiro dia. Os ponteiros giravam ao contrário de um relógio que não pararia até o seu fim. Sua aflição foi remediada por poucos instantes, porque logo se viu em um novo impasse e que a solução não seria mais tão evidente. Se colocar para a eternidade não era uma tarefa simples e um complexo de megalomania se apossava dele toda vez em que tentava tecer as palavras lapidais.
Noites mal dormidas e dias intermináveis seguiam contraditoriamente as suas últimas semanas. Ao mesmo tempo em que se via improdutivo e os minutos como horas perante sua impotência e seu tédio, via mais um dia terminado e a ausência de sono se aproximar perante o cansaço de seu corpo.
Começou a beber demasiadamente para sufocar o peso de sua ausência de alma. Durante uma típica noitada em seu lugar habitual, ouviu uma frase despretensiosa do garçom sobre seu estado atual de alcoolismo e decadência. Como um tiro no escuro, escuta serem proclamadas as frases que lhe colocariam na eternidade da masmorra de sua família.
De súbito, sai correndo do bar para anunciar ao seu mordomo as palavras que retrariam sua existência e seu vazio de alma durante a vida. Do desespero do seu novo encontro com a vida, desliga-se dos arredores e atravessa a rua despreocupadamente para adentrar seu carro importado e despertar seu criado. Luzes no asfalto iluminam seu corpo e vê-se caído no meio-fio.
Eis o que se conta sobre Ricardo Peixoto: morrera prematuramente sem alma e sem epitáfio.
31 de mai. de 2011
Poesia
Com leves movimentos repetitivos,
sentia adentrar-se dentro de si o derradeiro desejo.
Desejo fugaz,
anseio costumeiro.
A agitação tocava-lhe amplamente
em pequenos gestos conhecidos.
O pleno controle
era impossível.
Pelo pequeno canal uretral,
percorria o líquido viscoso,
que postumamente
chamaria regozijo.
O auto-aperfeiçoamento
lhe ensinava
em poucos gestos
o abandono da castidade.
A palavra lhe cortava a garganta
esparramando-se pelo ar
e o calor de seu gozo
se espalhava pelo lençol.
A êxtase de sua palavra
era tocar-se em pontos certeiros
como clitóris
e o torpor se esvanece.
sentia adentrar-se dentro de si o derradeiro desejo.
Desejo fugaz,
anseio costumeiro.
A agitação tocava-lhe amplamente
em pequenos gestos conhecidos.
O pleno controle
era impossível.
Pelo pequeno canal uretral,
percorria o líquido viscoso,
que postumamente
chamaria regozijo.
O auto-aperfeiçoamento
lhe ensinava
em poucos gestos
o abandono da castidade.
A palavra lhe cortava a garganta
esparramando-se pelo ar
e o calor de seu gozo
se espalhava pelo lençol.
A êxtase de sua palavra
era tocar-se em pontos certeiros
como clitóris
e o torpor se esvanece.
25 de mai. de 2011
Bonsoir les choses d'ici bas
Ando desesperado, bem sei. Sei também e tão bem o exaspero que me conduz a tamanho desespero. Pouco sei como controlá-lo. Falo alto demais e gesticulo teatralmente para expelir todo esse medo que carrego. Ao fitar-te se aproximando, baixei a cabeça para que o semblante atônito estampado em minha face não transparecesse tão claramente. Fingi despretensão em lugar de permitir o instinto animalesco de uivar como lobo ao notar a lua tão evidente. Trouxeste-me uma fita rosa, em contrapartida, que dizia Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas". A ternura demonstrou-se profunda e envergonhei-me diante de tal gesto de apatia. Senti-me desarmado diante do seu encanto. O convite tímido emitiu-se espontaneamente e sorrindo tu me costuraste mais uma ruga. Como bambu verde, vomitava verboarragias tolas tentando externar meu profundo desalento. Não ansiava por palavras de conforto. Queria tocar-te unicamente. Toque este simbiótico para que meu desespero adentra-se teus poros e teu conforto contruísse meu Ser.
25 de abr. de 2011
Girassol, a flor que não resiste ao próprio esplendor
houve uma pequena semente que se chamava girassol. como era tradição em sua família, girassol, quando pequena, era servida a pássaros como refeição. girassol foi oferecida para o costumeiro sacrifício juntamente com um punhado de sementes irmãs, entretanto fora deixada de lado, talvez por sua pequinês, talvez por suas imperfeições enquanto semente. compadecida, uma menina, recolheu girassol da gaiola em que vivia e plantou-a em um pequeno vaso. com cuidados e água, a menina zelou por girassol para que ela se tornasse uma flor, mas girassol, por temer a rejeição, permanecia inerte em seu estado de semente. duas primaveras se passaram e a então moça era implacável nos cuidados apesar da falta de sucesso. em uma dada primavera girassol resolveu desabrochar, apesar de pensar que suas flores logo murchariam e ela não resistiria ao fardo que é ser uma flor. girassol foi tímida em crescer, entretanto a primavera era muito ensolarada e logo girassol encantou-se pelo sol e quis lhe roubar a cor. girassol passou a crescer rapidamente e encantava todos os pedestres que transitavam rentes a sua janela. por sentir-se valorizada, girassol passou a ter pétalas que brilhavam e seguiam os movimentos do sol, seu amante. certo dia, girassol já estava muito maior que o vaso que a abrigava e segura de si decidiu que cresceria a ponto de encontrar o sol. poucos dias se passaram e girassol irradiava um amarelo ímpar quase semelhante ao do sol. exibia também grandes pétalas em quantidade, tamanho e beleza. os pássaros da vizinhança se apaixonaram por girassol e todos os dias tentavam roubar-lhe beijos, mas ela se mantinha fiel ao seu primeiro amante e o seguia ao longo do dia. em certa noite, girassol decidiu, então, que se permitiria um beijo de um pássaro no dia seguinte se ele prometesse que levaria parte dela para dar ao sol e traria a cor de seu amante para si própria. desperta girassol no dia que encontraria seu amante. o brilho de suas pétalas se dava como nunca havia sido visto anteriormente. suas pétalas exalavam perfume e beleza dignos só dela própria. não tardou para que avistasse um pássaro se aproximar de longe para acariciá-la. segura de si, chama o canário para perto, mas sente que seu peito apertar-se e desmorona no chão por ter seu caule rompido. o sol se fecha coberto por nuvens para que girassol não notasse seu pranto. o primeiro transeunte, que outrora diminuía o passo para observar a beleza da flor, não a nota caída e amassa suas pétalas com a sola do sapato. eis que girassol, a flor que temia desabrochar para ser esquecida, fez do sol seu amante e o seu calor a fez brilhar como nunca visto em nenhuma outra flor, entretanto seu caule que não resistiu a todo seu esplendor rompeu e sufocou-se a si mesma por brilhar demais.
15 de abr. de 2011
Sobre Pré-Ódios
É com muito orgulho que vos convido ao lançamento de meu primeiro livro, Sobre Pré-Ódios.
Sobre Pré-Ódios é uma reunião de textos escritos entre 2008 e 2010. Alguns publicados em blogs e alguns inéditos.
O livro é composto por poemas e contos escritos, principalmente, de forma confessional que tratam, em sua maior parte, de uma parte do âmago que acabou cedendo-se a sentimentos vãos e voltando-se contra eles ou de banalidades meramente abstratas.
dia 8 de maio às 17:30 na Feira do Livro de Santa Maria.
Adquira seu exemplar e apareça para a sessão de autógrafos.
Para mais informações acesse: http://sobrepreodios.blogspot.com
Sobre Pré-Ódios é uma reunião de textos escritos entre 2008 e 2010. Alguns publicados em blogs e alguns inéditos.
O livro é composto por poemas e contos escritos, principalmente, de forma confessional que tratam, em sua maior parte, de uma parte do âmago que acabou cedendo-se a sentimentos vãos e voltando-se contra eles ou de banalidades meramente abstratas.
dia 8 de maio às 17:30 na Feira do Livro de Santa Maria.
Adquira seu exemplar e apareça para a sessão de autógrafos.
Para mais informações acesse: http://sobrepreodios.blogspot.com
12 de abr. de 2011
Da desvalorização referencial
Havia se cansado. Aventuras vãs, impulsividade, efemeridade e ausência de qualquer certeza. Os rumos de sua vida andavam se tomando sem ele consentir de todo, mas pouco fazia para impedir. Vivia de momentos que nada diziam para ele. Havia esquecido tudo que cultivara a tantos anos, que os livros lhe diziam e que dominou seus pensamentos, talvez, por toda a vida? Pensava que não. Sentia uma dor latente dentro de si mesmo.
Era mal-compreendido. Cultivava uma dor que valorizava acima de tudo. Mentia pra si mesmo dizendo que esta se chamava poesia. Não se enganava de todo. Também era. Juntamente com sua frustração e falta aparente de certezas e de previsões. Andava acomodado em suas incertezas e pouco fazia para mudar: não via motivo claro para que o fizesse.
Imaginava que encontraria em corpos ou em copos algumas soluções que nem sabia ao certo se buscava. Vivia sem direção. Estendia-se em noitadas e deixava sua vida de lado. Faltava ao trabalho e esquecia de suas aulas. Mais que cíclica, sua vida era um redemoinho. Andava em círculos que cada vez apagavam mais seus referenciais primeiros.
24 de mar. de 2011
Poema para ti
Do arcabouço teórico
retirava um conhecimento simplório.
Buscava verdades universais,
currículo e nome em anais.
De um pêndulo oscilante
analisava o movimento nauseante.
Deparava-se com questionamentos infinitos
e do seu interior silenciava os gritos.
Da vida, do trabalho e do dinheiro
matutava até encher o cinzeiro.
Chegava a respostas vazias
que pouco importavam às suas revirias.
Dos gostos, desgostos, mal-gostos
cansava de mirar seus rostos.
Questionamentos vãos inúteis
reprimiam seus desejos fúteis.
Da busca e do cansaço eterno
encontrou motivo para ser terno.
Deixou de lado os seu não
e passou a escutar o bater do coração.
Do seu lado encontrara
respostas as questões que sempre colocara.
Abandonou seu conhecimento vão,
chutou o ego e segurou sua mão.
De não mais tentar teorizar e explicar
pode o seu lugar encontrar.
Os seus medos abandonou
e a ternura, dele, se apossou.
De querer roubar o seu coração
escreveu uma estrofe sem rimas.
Deu de ombros pois desde o primeiro verso
Só tentava anuncia a finalidade do poema:
Dedicá-lo a ti.
retirava um conhecimento simplório.
Buscava verdades universais,
currículo e nome em anais.
De um pêndulo oscilante
analisava o movimento nauseante.
Deparava-se com questionamentos infinitos
e do seu interior silenciava os gritos.
Da vida, do trabalho e do dinheiro
matutava até encher o cinzeiro.
Chegava a respostas vazias
que pouco importavam às suas revirias.
Dos gostos, desgostos, mal-gostos
cansava de mirar seus rostos.
Questionamentos vãos inúteis
reprimiam seus desejos fúteis.
Da busca e do cansaço eterno
encontrou motivo para ser terno.
Deixou de lado os seu não
e passou a escutar o bater do coração.
Do seu lado encontrara
respostas as questões que sempre colocara.
Abandonou seu conhecimento vão,
chutou o ego e segurou sua mão.
De não mais tentar teorizar e explicar
pode o seu lugar encontrar.
Os seus medos abandonou
e a ternura, dele, se apossou.
De querer roubar o seu coração
escreveu uma estrofe sem rimas.
Deu de ombros pois desde o primeiro verso
Só tentava anuncia a finalidade do poema:
Dedicá-lo a ti.
20 de mar. de 2011
Provisões Invernais
O sol ardia na espinha e o tecido colava junto ao corpo. Pouco importava. Permanecia estático. Não por preguiça ou algo semelhante, mas por um conforto que não queria me separar. Tu repousava ao meu lado e parecia que pra ti nada se passava. Imagens e sons eram emitidos pela tevê para ninguém. Tu assistia o espetáculo da preguiça e eu estava absorto com o meu de te ter em meus braços.
Os dias seguiam felizes. Não de uma felicidade plástica ou monótona, mas de um encontro tardio do que outrora se buscava com afinco mas que não se alcançava. As feridas eram lavadas uma a uma e cicatrizavam mais rapidamente do que o esperado. Cicatrizes estas que pareciam de memórias distantes como de infância. Talvez remetessem a esta e agora estaríamos amadurecendo. Um amadurecimento construído a dois como deve ser.
Os sentimentos se tornavam claros e o opaco de outrora, agora permitia que a luz se adentrasse. Os sorrisos se tornam bobos e os planos alegres. O que já era evidente, deixou de ser evitado, para ser consolidado.
Assinar:
Postagens (Atom)
