Sentira seu peito apunhalado mais uma vez.
O sangue escorrera em um filete interminável, uma hemorragia lenta e eterna.
Fizera grande esforço para impedir suas pálpebras se fecharem.
Sentira as pernas amolecerem e desistira de tentar levantar os braços para arrancar a flecha que o ferira.
Da sua cabeça eram arrancados cabelos com apenas um leve sopro de brisa.
Sentira seu peito apunhalado mais uma vez.
Esquecera automaticamente se havia feito qualquer movimento que demonstrasse não querer se ferir.
Não quisera impedir.
Seu sexo adormecera juntamente com sua força para proferir palavras.
O acaso aplicara a ele mais uma armadilha fatal.
Ele desmaiara em um recanto que jamais teve ao seu alcance com um sorriso que demostrava o ápice do seu encontro consigo mesmo, o auge de sua dor e uma certeza que nunca tivera anteriormente.
23 de ago. de 2010
11 de ago. de 2010
Sobre música de tom
Era ritmada em bossa nova. Ele sofria de uma dor incontrolável. Dor como uma enxaqueca incurável. Não ligava. Ela carregava uma dor no seu olhar grande e profundo. Ele ansiava por dividir e aliviar seu pesar. Era impossível. Dissimulava por não saber evitar. Buscava respostas que não encontrava, por mais que insistissem em saltar aos olhos. Ele não sabia se poderia acreditar. Coloria seus dias de uma forma doce e ele não sabia mais o que esperar. Deprimia-se ao chegar da madrugada e recordava de noites regadas por cafés e cigarros excessivos. Tais como palavras bonitas e empatias. Cafés sem açúcar e olhos doces. Deixava tarefas de lado por não conseguir se concentrar. A via em suas leituras de forma tão evidente e faltava coragem para dividir. Imaginava onde estaria e sonhava com lençois soltos e desarrumados pela cama grande. Imaginava sentimentos e apegos que poderiam não existir. Procurava doses de cores muitas vezes por dia. Entregava-se de uma forma que pensara não ser mais possível e sorria bobo com tudo. Dividia dores que jamais havia conseguido com outro alguém. Dores profundas no seu âmago que não evitava. Dividia de forma clara sem precisar falar literalmente. Sentia empatia. Dizia dissimular, mas se jogava de forma tão evidente dando de ombros para sua impotência. Repetia frases já escritas só pra ver se compartilhavam os sentidos. Ela o repetia e ele se via de cabeçaparabaixo.
9 de ago. de 2010
De cambalhotas que não esperava virar
Novamente se deparou consigo mesmo vendo o mundo de cabeça para baixo. Fumava compulsivamente e sorria amarelo como quem tenta disfarçar sua dor com bom humor. Não agia naturalmente e media todas as palavras a serem ditas. Encontrava velhos medos que havia escondido em lugares quase inacessíveis.
Aventurava-se em sua tentativa de ter a atenção para si e quando esta era dada não sabia o que fazer. Queria tocar sua mão suada e ver seus grandes olhos escuros e redondos fechados. Queria sentir seu corpo branco e distante para ela, queria a ver entregue em seu colo e apego, mas sabia ser impossível. Lembrava da canção que dizia “me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração” e sentia lâminas cortando partes que tentava impedir de serem expostas. Ele a olhava agindo de forma tão natural e espontânea que se encantava ainda mais pela sua facilidade de ser terna sem usar palavras. Não a fitava nos olhos, pois sentia pavor de sua olhada grande e profunda que para ela parecia tão fácil de dirigir quando convinha.
Dava tiros tentando impressionar e se mostrava disposto a todas as atrações. Ria dos brinquedos medíocres disfarçando a sua própria insegurança e ansiedade. Trocavam frases curtas e ele não sabia como agir quando ela sentava do seu lado em meio a grades e cintos de segurança. Admirava quando ela olhava nos seus olhos tão profundamente e dizia qualquer frase banal. Deparava-se observando ela girar em meio a luzes, músicas desagradáveis, pessoas desconhecidas e nos seus pensamentos e desejos. Imaginava trocas de olhares e ansiava por sentir seu cheiro e seu calor.
Via o mundo ao contrário pela janela do Kamikaze. Sentia a sensação de ter os órgãos internos espalhados pelo corpo em lugares que não eram devidos. Em meio a tonturas, enjôos, adrenalinas, cocas-colas e brinquedos repetidos, sentiu pequenos pulsares no fundo de seu peito como há algum tempo deixara de sentir. O parque de diversões reanimava seu coração perdido.
Aventurava-se em sua tentativa de ter a atenção para si e quando esta era dada não sabia o que fazer. Queria tocar sua mão suada e ver seus grandes olhos escuros e redondos fechados. Queria sentir seu corpo branco e distante para ela, queria a ver entregue em seu colo e apego, mas sabia ser impossível. Lembrava da canção que dizia “me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração” e sentia lâminas cortando partes que tentava impedir de serem expostas. Ele a olhava agindo de forma tão natural e espontânea que se encantava ainda mais pela sua facilidade de ser terna sem usar palavras. Não a fitava nos olhos, pois sentia pavor de sua olhada grande e profunda que para ela parecia tão fácil de dirigir quando convinha.
Dava tiros tentando impressionar e se mostrava disposto a todas as atrações. Ria dos brinquedos medíocres disfarçando a sua própria insegurança e ansiedade. Trocavam frases curtas e ele não sabia como agir quando ela sentava do seu lado em meio a grades e cintos de segurança. Admirava quando ela olhava nos seus olhos tão profundamente e dizia qualquer frase banal. Deparava-se observando ela girar em meio a luzes, músicas desagradáveis, pessoas desconhecidas e nos seus pensamentos e desejos. Imaginava trocas de olhares e ansiava por sentir seu cheiro e seu calor.
Via o mundo ao contrário pela janela do Kamikaze. Sentia a sensação de ter os órgãos internos espalhados pelo corpo em lugares que não eram devidos. Em meio a tonturas, enjôos, adrenalinas, cocas-colas e brinquedos repetidos, sentiu pequenos pulsares no fundo de seu peito como há algum tempo deixara de sentir. O parque de diversões reanimava seu coração perdido.
23 de jul. de 2010
Os sonhos que impediam de deixar de lado o cheiro que tanto gostava
Sem contar a ninguém, saía para caminhar por lugares já conhecidos sem rumo algum e objetivo previamente decidido. Aprendera a colocar sua dor e frustração nas caminhadas em círculos mesmo sabendo que nada mudaria. Sonhava com imagens confusas, com paixões abandonadas por motivos desconhecidos e saudades guardadas no fundo da gaveta para não doerem mais. Ansiava pelo apego de outrora, o corpo como flor e o cheiro como calor que sufocavam de uma forma que ainda permitiam respirar em instantes necessários. Se enrolava no meio da sua confusão sem querer ouvir nem descobrir nenhuma explicação óbvia ou necessária, apenas transformar um novelo em cachecol de colocar bem apertado no pescoço cheiroso e livrar do frio e de dores que incomodam para engolir.
15 de jul. de 2010
Piadas cansadas, gozos suprimidos e histórias invertidas
E acabava por sacrilégios e desencontros premeditados. Brincava que a distância era pouca, mas afastava. Pensava que a cama salvaria, mas não sabia. A piada? Perdeu a graça.
De vez em quando ainda sonhava com aquele dia em que tu me trouxe tanto lirismo, melancolia e trocamos pessimismos. Me diziam para esquecer. E eu fingia que sonhos eram tolices. Dissimulava a tal ponto que fizeste, da minha representação, verdade.
Mentia para mim mesmo ser mais um blablabla típico de encontros de velhos amigos. Guardava o meu encanto e buscava banalidades. Te procurava em outros copos, outras camas. Eu ria do que tu falava, mas não escutava. Tu gesticulava e idealizava o mundo. Eu achava tão bobo. Eu achava tão bonito.
Sempre te prometia visitas e tu dizia que me esperaria na rodoviária. Perdia o ônibus e o próximo, eu imaginava, que nunca viria. De uma viagem inesperada, domingo ensolarado e conversas prorrogadas, tu me esperava com um livro qualquer nos braços. Não me importava.
Olhos de diamante e eu disfarçava o encanto.
Ríamos e dizíamos que nosso encontro seria na cama. Eu sabia que não fazia teu tipo, mas não deixaria de ilusionar. Perdíamos horas à distância aumentando egos e esnobismos típicos de primeiras conversas. Ilusionávamos planos e fazíamos grandes piadas de tudo.
De vez em quando ainda sonhava com aquele dia em que tu me trouxe tanto lirismo, melancolia e trocamos pessimismos. Me diziam para esquecer. E eu fingia que sonhos eram tolices. Dissimulava a tal ponto que fizeste, da minha representação, verdade.
Mentia para mim mesmo ser mais um blablabla típico de encontros de velhos amigos. Guardava o meu encanto e buscava banalidades. Te procurava em outros copos, outras camas. Eu ria do que tu falava, mas não escutava. Tu gesticulava e idealizava o mundo. Eu achava tão bobo. Eu achava tão bonito.
Sempre te prometia visitas e tu dizia que me esperaria na rodoviária. Perdia o ônibus e o próximo, eu imaginava, que nunca viria. De uma viagem inesperada, domingo ensolarado e conversas prorrogadas, tu me esperava com um livro qualquer nos braços. Não me importava.
Olhos de diamante e eu disfarçava o encanto.
Ríamos e dizíamos que nosso encontro seria na cama. Eu sabia que não fazia teu tipo, mas não deixaria de ilusionar. Perdíamos horas à distância aumentando egos e esnobismos típicos de primeiras conversas. Ilusionávamos planos e fazíamos grandes piadas de tudo.
13 de jul. de 2010
De cismas esnobes e comodismos
Certa vez me dissera “se eu tivesse uma irmã gêmea, me envolveria com ela certamente.” Um comentário nada atípico da sua parte e do padrão que ela sabia me enojar. Eu notava que sempre lhe faltava certa prolixidade em fazer esses comentários descabidos. Escutava-os como um tapa na face do tipo que deixava marcas de dedos por um tempo longo. Ela insistia em repetir concomitantemente a suas atitudes desagradáveis de fazer gestos e caras que me repugnavam. Ficava estático e desconversava na falta de audácia para retribuir-lhe a altura.
À primeira vista, admirava toda aquela sua liberdade em encurtar caminhos para tocar em assuntos que eu deixava de lado e para mostrar o seu lado sagaz no que tangia a falar de si mesma. Nunca me pareceu esnobe e nem austera, entretanto tinha uma implicância e um narcisismo peculiares que ansiava por explicitar. Eu fingia ignorar, mas ela me jogava às vistas.
Da forma costumeira em relações prolongadas, os detalhes pareciam tomar proporções gigantescas como se ciscos se tornassem cegueiras e hematomas, coágulos. Ela sentia meu pesar e se mostrava apática para me intrigar de forma ainda maior. Eu seguia impotente sem a mínima capacidade e possibilidade de defesa.
Eu a desejava ardorosamente, sabia. Aqueles minutos sobre o seu corpo me convenciam que poderia relativizar toda a intolerância com seu sarcasmo apurado e elegância fingida. Sentia o seu cheiro arder sob meu corpo e lhe arrancava suspiros insaciáveis na sua mais uma tentativa de se sobrepor. Nessas vezes, inutilmente. Acendia um cigarro e ria das suas reclamações pelas marcas deixadas e cabelos arrancados. Altivo, escondia o regozijo suprido e ignorava suas pirraças.
À primeira vista, admirava toda aquela sua liberdade em encurtar caminhos para tocar em assuntos que eu deixava de lado e para mostrar o seu lado sagaz no que tangia a falar de si mesma. Nunca me pareceu esnobe e nem austera, entretanto tinha uma implicância e um narcisismo peculiares que ansiava por explicitar. Eu fingia ignorar, mas ela me jogava às vistas.
Da forma costumeira em relações prolongadas, os detalhes pareciam tomar proporções gigantescas como se ciscos se tornassem cegueiras e hematomas, coágulos. Ela sentia meu pesar e se mostrava apática para me intrigar de forma ainda maior. Eu seguia impotente sem a mínima capacidade e possibilidade de defesa.
Eu a desejava ardorosamente, sabia. Aqueles minutos sobre o seu corpo me convenciam que poderia relativizar toda a intolerância com seu sarcasmo apurado e elegância fingida. Sentia o seu cheiro arder sob meu corpo e lhe arrancava suspiros insaciáveis na sua mais uma tentativa de se sobrepor. Nessas vezes, inutilmente. Acendia um cigarro e ria das suas reclamações pelas marcas deixadas e cabelos arrancados. Altivo, escondia o regozijo suprido e ignorava suas pirraças.
1 de jul. de 2010
Por não entender de Jogo da vida
A roleta girava e ele fingia que sua peça no tabuleiro não se movia. Sabia que corria riscos, mas não quis deixar de jogar. Ela propunha um jogo no qual não se objetivava vencer e, menos ainda, alcançar o final do tabuleiro. Ele não conseguia se iludir dessa forma, entretanto não queria mover sua peça. Ela girava e girava a roleta e fingia que não se importava com os movimentos. Ele estava ressentido e frágil e com medo de chegar no Payday e ter que prestar contas. Tentava jogar despretenciosamente, mas a peça dela cada vez se aproximava mais de uma forma tão inevitável. Pediu para andar alguns movimentos para trás, mas já não era mais possível. Só ela podia quebrar as regras e ele observa estático e impotente.
Decidido a deixar o jogo continuar, ele girou a roleta. Embaralhava os números sorteados e movia sua peça mais do que deveria. Ela o colocava no lugar devido novamente. Ele se perdeu e o dia do pagamento chegou: não sabia quanto deveria receber, tampouco quanto faltava, entretanto sentia vontade de depositar todas suas notas no tabuleiro e acabava por perder o controle do jogo. Comprou um carro e deixou um lugar vago. Vagava vago. Espaço Vago. Vago vago.
Decidido a deixar o jogo continuar, ele girou a roleta. Embaralhava os números sorteados e movia sua peça mais do que deveria. Ela o colocava no lugar devido novamente. Ele se perdeu e o dia do pagamento chegou: não sabia quanto deveria receber, tampouco quanto faltava, entretanto sentia vontade de depositar todas suas notas no tabuleiro e acabava por perder o controle do jogo. Comprou um carro e deixou um lugar vago. Vagava vago. Espaço Vago. Vago vago.
28 de jun. de 2010
Corredores compridos com finais curtos
Mais um dia que atravessava os mesmos dois lances de escadas daquele corredor branco vazio com paredes já não mais tão brancas, cheiro de desinfetante e luzes fracas. Era o pior momento de seu dia: a chegada na repartição. Todos se movimentavam e falavam ao mesmo tempo e sua cabeça todos os dias estava prestes a explodir. Se sentia um ponto preto, mas não tão preto, minúsculo e quase inexistente em meio a aquelas mesas, paredes e chãos brancos não tão brancos. Se distraía com sua imaginação e se concentrava com o seu estar a parte e já não sabia mais no que pensar. Repetia frases feitas para amigos e já não tinha paciência de inventar sentimentos e emoções. No seu interior apático não ansiava por aventuras e tempestades, apenas por sossego: pensava ser essa a solução para seu fingimento de dor e a sua constante insatisfação.
Na chegada do trabalho andava pelo corredor que começava seu apartamento e parecia que ele jamais acabaria e nunca encontraria nada. Descontava sua solidão em cartelas de dorflex e sentia as costas doídas sempre que deitava. Ansiava por um café, mas nunca queria afastar aquela sensação de cansaço. A dor de cabeça seguia constantemente.
Tentava fugir dos finais de semana. Sem trabalho e faculdade a vida era mansa, mas era só. Ela dizia gostar de ser só, mas fazia parte do seu papel representado. Se afundava nos travesseiros e edredons infantis e fingia não ligar. Ouvia seu interfone tocar e apenas se virava na cama. "Era engano", pensava ela.
Em final de semana chuvoso e frio, buscou tentativas para se livrar do medo, que doía mais que a solidão. Tentou jogar partidas de sinuca, mas as bolas nunca caíam na caçapa. Revirava o bar por diversas vezes atrás de uma companhia qualquer. Era bonita, era notada, mas sempre estava só.
Saiu correndo e se atirou nas gotas que já caiam grossas. Não se importou em borrar a maquiagem, nem em seu penteado desfeito. Ao chegar em casa sentiu as orelhas queimarem e lembrou de ditados sexagenários. Passou um café na sua cafeteira verde, acendeu um cigarro e caiu no sono em sua sacada.
Na chegada do trabalho andava pelo corredor que começava seu apartamento e parecia que ele jamais acabaria e nunca encontraria nada. Descontava sua solidão em cartelas de dorflex e sentia as costas doídas sempre que deitava. Ansiava por um café, mas nunca queria afastar aquela sensação de cansaço. A dor de cabeça seguia constantemente.
Tentava fugir dos finais de semana. Sem trabalho e faculdade a vida era mansa, mas era só. Ela dizia gostar de ser só, mas fazia parte do seu papel representado. Se afundava nos travesseiros e edredons infantis e fingia não ligar. Ouvia seu interfone tocar e apenas se virava na cama. "Era engano", pensava ela.
Em final de semana chuvoso e frio, buscou tentativas para se livrar do medo, que doía mais que a solidão. Tentou jogar partidas de sinuca, mas as bolas nunca caíam na caçapa. Revirava o bar por diversas vezes atrás de uma companhia qualquer. Era bonita, era notada, mas sempre estava só.
Saiu correndo e se atirou nas gotas que já caiam grossas. Não se importou em borrar a maquiagem, nem em seu penteado desfeito. Ao chegar em casa sentiu as orelhas queimarem e lembrou de ditados sexagenários. Passou um café na sua cafeteira verde, acendeu um cigarro e caiu no sono em sua sacada.
21 de jun. de 2010
de passadas curtas e olhares longos
e ouvia despretenciosamente enquanto tentava acelerar as passadas. me pedia para escutar, mas ao voltar minha atenção já não falaria mais. eu lembrava de apegos e desapegos, noites mal-dormidas, pensamentos vagos e discordância trocadas. o frio me cortava por fora, a incerteza por dentro. me dizia que não entendia, que eram opostos. lembrava da canção que dizia que 'os opostos de distraem e os dispostos se atraem'. andava disposto, mas andava com medo. o sorriso havia voltado, mas girava tantos outras confusões no meio de poucas certezas. dessa forma me impedia e via o teu auto-impedimento idem. andava desgastado e sem deixar a empolgação me tomar. lições de vivência. e tu me falava tudo e eu me impedia de chorar. mantinha a pose. fingia uma certeza inexistente e saberia que a falta estava por vir. não sabia o que fazer de mim e não soube o que fazer de ti. fui teu.
14 de jun. de 2010
O passar dos anos e a maturidade sentimental da preferência nacional
Não entendo o motivo que convencionamos a chamar de experientes as pessoas mais velhas. Obviamente, se formos considerar o fato de terem vivido maior quantidade de situações adversas o adjetivo pode ser até bem aplicado, mas ao considerar experiência como sinônimo de maturidade essa expressão deixa muito a desejar. Principalmente se tratando de sentimentos. Ando cansado de falar de mim mesmo - que são os únicos sentimentos de homem que entendo. Então tratarei das mulheres.
Algo que sempre pensei durante a adolescência era que mulheres balzaquianas (trintonas) eram bem resolvidas, sabiam o que queriam, tinham a vida encaminha, ou seja, todas aquelas coisas que os nossos pais nos dizem que temos que ter resolvido ao chegar aos 30. Iludia-me com esse pensamento e sempre admirava as ditas trintonas. Pensava eu: "Nossa, além de ter uma baita estrada na cama, elas sabem o que querem. Já chegam por cima." Claro que algumas delas realmente são assim, mas normalmente essas se deram bem (financeiramente falando) ou são casadas. Tratando de mulheres solteiras, a idade é inversamente proporcional à maturidade sentimental.
Com o passar do tempo comecei a me envolver com as diversas faixas etárias de mulheres ainda me iludindo que a ideal só poderia ser balzaquiana ou quase lá. Toda aquela experiência e a individualidade seriam um sonho. Claro que o corpo já estava começando a declinar, mas isso não é tudo e muitas ainda não chegaram nessa fase. Balde de água fria e choque de realidade.
As mulheres de vinte anos ainda não tem experiência em relacionamentos, tiveram, no máximo, um ou dois namorados, não sofreram grandes desilusões, nunca foram pedidas em casamento, e o corpo estava no ápice de toda a vida. Com isso se tornam independentes, ainda conseguem dar risadas com os problemas, não criam expectativas gigantescas, se contentam com a companhia das amigas, ainda conseguem levar relacionamentos sem ansiarem loucamente por um casamento ou por algo que o valha. Ou seja, ainda existe muita vida pela frente e, assim, ainda conseguem levar a vida de forma leve e os relacionamentos idem. Não aceitam traições. Existem mil possibilidade e então não há porque passar por isso. São seguras de si.
A vida corre e passam a se decepcionar, já sofreram o bastante pra não confiar à primeira vista, mas por outro lado a carência vai aumentando. Não se encantam tão facilmente como no início da vida adulta, os olhos não brilham mais tão facilmente, a energia para paixões já não é a mesma, mas ao se apegarem a armadilha está armada. As amigas que outrora estavam sempre do lado aparecem casadas ou grávidas e, assim, o desespero só vai aumentando. A necessidade de ter alguém do lado da mesma forma e a paciência para aguentar problemas diminui, mas mesmo assim a paciência de aguentar o tempo sozinhas também é menor. Aceitam traições, defeitos e justificam isso como sendo seguras de si, mas não aceitam ouvir que já não existem tantas possibilidades e não tem mais vontade, paciência, disposição de começarem de novo.
Não faço apologia às novinhas e, muito menos, diminuo as balzaquianas, mas, claramente, notei que todas as minhas expectativas de experiência sexual e sentimental não andam juntas considerando a vida das mulheres. A solução do problema? Não faço a menor idéia. Dai-me paciência, Senhor!
Algo que sempre pensei durante a adolescência era que mulheres balzaquianas (trintonas) eram bem resolvidas, sabiam o que queriam, tinham a vida encaminha, ou seja, todas aquelas coisas que os nossos pais nos dizem que temos que ter resolvido ao chegar aos 30. Iludia-me com esse pensamento e sempre admirava as ditas trintonas. Pensava eu: "Nossa, além de ter uma baita estrada na cama, elas sabem o que querem. Já chegam por cima." Claro que algumas delas realmente são assim, mas normalmente essas se deram bem (financeiramente falando) ou são casadas. Tratando de mulheres solteiras, a idade é inversamente proporcional à maturidade sentimental.
Com o passar do tempo comecei a me envolver com as diversas faixas etárias de mulheres ainda me iludindo que a ideal só poderia ser balzaquiana ou quase lá. Toda aquela experiência e a individualidade seriam um sonho. Claro que o corpo já estava começando a declinar, mas isso não é tudo e muitas ainda não chegaram nessa fase. Balde de água fria e choque de realidade.
As mulheres de vinte anos ainda não tem experiência em relacionamentos, tiveram, no máximo, um ou dois namorados, não sofreram grandes desilusões, nunca foram pedidas em casamento, e o corpo estava no ápice de toda a vida. Com isso se tornam independentes, ainda conseguem dar risadas com os problemas, não criam expectativas gigantescas, se contentam com a companhia das amigas, ainda conseguem levar relacionamentos sem ansiarem loucamente por um casamento ou por algo que o valha. Ou seja, ainda existe muita vida pela frente e, assim, ainda conseguem levar a vida de forma leve e os relacionamentos idem. Não aceitam traições. Existem mil possibilidade e então não há porque passar por isso. São seguras de si.
A vida corre e passam a se decepcionar, já sofreram o bastante pra não confiar à primeira vista, mas por outro lado a carência vai aumentando. Não se encantam tão facilmente como no início da vida adulta, os olhos não brilham mais tão facilmente, a energia para paixões já não é a mesma, mas ao se apegarem a armadilha está armada. As amigas que outrora estavam sempre do lado aparecem casadas ou grávidas e, assim, o desespero só vai aumentando. A necessidade de ter alguém do lado da mesma forma e a paciência para aguentar problemas diminui, mas mesmo assim a paciência de aguentar o tempo sozinhas também é menor. Aceitam traições, defeitos e justificam isso como sendo seguras de si, mas não aceitam ouvir que já não existem tantas possibilidades e não tem mais vontade, paciência, disposição de começarem de novo.
Não faço apologia às novinhas e, muito menos, diminuo as balzaquianas, mas, claramente, notei que todas as minhas expectativas de experiência sexual e sentimental não andam juntas considerando a vida das mulheres. A solução do problema? Não faço a menor idéia. Dai-me paciência, Senhor!
13 de jun. de 2010
As mulheres da minha vida
MD me ensinou a tornar a própria vida textos literários. Tristes, realistas e carregados de emoção, como a vida deve ser. Descrever fatos de nada adiantaria. O interno acaba corrompendo todas as barreiras de apatia e dureza de coração. A cada novo soco, uma nova dor; a cada dor, uma nova pessoa. Lágrimas são pouco. É de cortar.
CL me mostrou que atos não são nada diante de sentimentalismos em literatura. Banalidades são o objeto-mor desta arte. Até baratas podem compor romances. O trágico se torna cômico e a leitura dá um frio na barriga e uma impressão de se estar ficando transtornado. A paixão faz o mesmo. CL me mostrou que a literatura é como a paixão.
Com a Ana C. não aprendi a viver, aprendi a escrever. Soube que em literatura não precisa de personagens, cenários, diálogos imaginários quando se vive. Passei a para de reclamar da minha vida, mas comecei a me lamentar. Não sou católico e não acredito em confissão, mas, por outro lado, acabei fazendo do papel o meu confessionário e da pena a minha penitência.
OD me falou de forma simples, mas terna. A poesia trazia o sorriso por vezes e a lágrima em outras. Não a abandonaria jamais.
Dentre todas as mulheres da minha vida, devo dar maior importância a HH. Com ela não chorei, não me lamentei, não aprendi a escrever. Dela eu apanhei. Ela me dizia tanta coisa que eu já não sabia se conseguia compreender, em frases sucintas me mostrava coisas tão evidentes que eu não enxergava. Tentei plagiá-la: não consegui. Ficava por dias sem comer e me afundava no copo toda vez que eu a encontrava. Já não me importava mais com meus quilos a menos e nem com o alcoolismo. Precisava desse fulgor que me incendeia em todas as vezes que eu a encontro.
CL me mostrou que atos não são nada diante de sentimentalismos em literatura. Banalidades são o objeto-mor desta arte. Até baratas podem compor romances. O trágico se torna cômico e a leitura dá um frio na barriga e uma impressão de se estar ficando transtornado. A paixão faz o mesmo. CL me mostrou que a literatura é como a paixão.
Com a Ana C. não aprendi a viver, aprendi a escrever. Soube que em literatura não precisa de personagens, cenários, diálogos imaginários quando se vive. Passei a para de reclamar da minha vida, mas comecei a me lamentar. Não sou católico e não acredito em confissão, mas, por outro lado, acabei fazendo do papel o meu confessionário e da pena a minha penitência.
OD me falou de forma simples, mas terna. A poesia trazia o sorriso por vezes e a lágrima em outras. Não a abandonaria jamais.
Dentre todas as mulheres da minha vida, devo dar maior importância a HH. Com ela não chorei, não me lamentei, não aprendi a escrever. Dela eu apanhei. Ela me dizia tanta coisa que eu já não sabia se conseguia compreender, em frases sucintas me mostrava coisas tão evidentes que eu não enxergava. Tentei plagiá-la: não consegui. Ficava por dias sem comer e me afundava no copo toda vez que eu a encontrava. Já não me importava mais com meus quilos a menos e nem com o alcoolismo. Precisava desse fulgor que me incendeia em todas as vezes que eu a encontro.
O que o sábado que parece domingo acaba trazendo.
Insistia em escrever sobre coisas que já não fariam o menor sentido. O tempo andava estagnado: não sabia o que fazer. Narrava as coisas que me aconteciam e sempre dizia para que se cuidasse. Queria pedir que me cuidasse. Faltava coragem. Ela sabia o fazer, eu tinha esquecido. Lembrava de tempos não remotos em que se preocupava consigo mesmo. Hoje já não dava importância. E contava as história que o cercavam, mas acabava falando de si mesmo de forma indireta e pretenciosa. Ele sabia que ela não gostava de ouvir, mas não conseguia se calar. Ela só concordava e fingia que nem notava suas lamentações.
O frio cercava e ele não queria se levantar. Recebia propostas que não tinha a mínima paciência de cumprir, mas o tédio impedia de negar. Formulava desculpas retóricas que não sabe se adiantariam. Não levantava para escovar os dentes. O cuidado era menor e a falta de vontade de qualquer coisa só aumentava. A gêngiva sangrava e ele prometia para si mesmo fazer algo. As leituras ficavam pela metade e o dia passava devagar. Tinha pressa, mas o tempo não era seu amigo.
Pensava em coisas que já o desinteressavam. Pedia ajuda para a literatura, mas ela dizia que não conseguiria viver por ele. A garrafa dizia o mesmo e fazia a cabeça doer no outro dia, a beleza desarrumava a cama e não colocava a mesa.
Chorava, mas não sabia os motivos. Deixava os soluços que se apossarem. Eles vinham de tempos em tempos.
Sentou num banco de uma praça qualquer, a grama molhada impossibilitava de sentar no chão. Lembrava de história da noite anterior e via que nada mudava. Percebeu que as linhas andavam tortas. Sua escrita andava torta e não senti a mínima necessidade de mudar.
Ao chegar em casa tomou um café sem açúcar. Não impediu que o amargo se apossasse do resto de seu corpo. Assim ficou.
O frio cercava e ele não queria se levantar. Recebia propostas que não tinha a mínima paciência de cumprir, mas o tédio impedia de negar. Formulava desculpas retóricas que não sabe se adiantariam. Não levantava para escovar os dentes. O cuidado era menor e a falta de vontade de qualquer coisa só aumentava. A gêngiva sangrava e ele prometia para si mesmo fazer algo. As leituras ficavam pela metade e o dia passava devagar. Tinha pressa, mas o tempo não era seu amigo.
Pensava em coisas que já o desinteressavam. Pedia ajuda para a literatura, mas ela dizia que não conseguiria viver por ele. A garrafa dizia o mesmo e fazia a cabeça doer no outro dia, a beleza desarrumava a cama e não colocava a mesa.
Chorava, mas não sabia os motivos. Deixava os soluços que se apossarem. Eles vinham de tempos em tempos.
Sentou num banco de uma praça qualquer, a grama molhada impossibilitava de sentar no chão. Lembrava de história da noite anterior e via que nada mudava. Percebeu que as linhas andavam tortas. Sua escrita andava torta e não senti a mínima necessidade de mudar.
Ao chegar em casa tomou um café sem açúcar. Não impediu que o amargo se apossasse do resto de seu corpo. Assim ficou.
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