queria escrever um texto: não consegui.
tem um buraco na minha cama.
quebrei promessas que nem fiz:
mentiras premeditadas.
me mordi até sangrar:
pensava que faquir me entenderia.
não conseguia dormir:
vim aqui me lamentar.
28 de dez. de 2009
27 de dez. de 2009
23 de dez. de 2009
sempre tive mania do inacabado. sempre gostei mais do tosco, do grotesco. me disseram uma vez que eu deveria colocar título no que escrevo. nunca achei necessário. também me disseram para usar menos pontos e vírgulas. mania de limitações. não gosto do mau-feito, é questão de simplicidade, expressão, "jazz do coração."
outra noite eu dancei uma valsa com meu violão e ele me mostrou mais quatro acordes que eu pensava que não fariam sentido. gosto das surpresas noturnas. "a noite é sempre uma sala de espera."
pode ser efeito das boletas ou da cafeína, mas achava que todo esse alimento fugaz poético lido despretenciosamente não serviria pra nada. não sei me concentrar com a música tocando e aqui ela sempre toca. as vezes agradável, mas normalmente gritaria.
disse que gosto do tosco, não do rangente.
sempre fui desatento. me diziam: "marcellinho, olha pro que tu tá fazendo." engraçado que sempre que tu tem algo engraçado, aparece alguém para tornar sério. já fui triste sem ter motivo algum e achava isso bonito. hoje não deixei de achar bonito, mas cansa.
cortei o cabelo e gostei do espelho. assisti um daqueles filmes enjoadinhos preto-e-branco sem dormir. surpresas do destino.
quis escrever um poema. sempre soei piegas.
outra noite eu dancei uma valsa com meu violão e ele me mostrou mais quatro acordes que eu pensava que não fariam sentido. gosto das surpresas noturnas. "a noite é sempre uma sala de espera."
pode ser efeito das boletas ou da cafeína, mas achava que todo esse alimento fugaz poético lido despretenciosamente não serviria pra nada. não sei me concentrar com a música tocando e aqui ela sempre toca. as vezes agradável, mas normalmente gritaria.
disse que gosto do tosco, não do rangente.
sempre fui desatento. me diziam: "marcellinho, olha pro que tu tá fazendo." engraçado que sempre que tu tem algo engraçado, aparece alguém para tornar sério. já fui triste sem ter motivo algum e achava isso bonito. hoje não deixei de achar bonito, mas cansa.
cortei o cabelo e gostei do espelho. assisti um daqueles filmes enjoadinhos preto-e-branco sem dormir. surpresas do destino.
quis escrever um poema. sempre soei piegas.
18 de dez. de 2009
com 140 caracteres limitando
risco os óculos, mas não risco os livros. e sempre corro riscos.
nos olhamos. sabíamos que era um amor proibido, entretanto nos entregamos aos nossos desejos de nos matarmos juntos.
desafio: escrever um microconto fictício de uma história de amor e ódio que levou ao suícidio de ambos em 140 caracteres
um enjôo de palavras. devo vomitar?
as frases esquecidas, o sorriso mais bonito e todos os botões de flores que te dei estão guardados na gaveta.
se eu fosse um telecine, certamente seria o pipoca. tento traduzir-me em meras dublagens todo o tempo.
o temor de parecer mau pelo parecer ridículo
depois de tanto,lirismo,olhares e não-olhares,literaturas divididas, sensações em comum diante de algo é que ele se deu conta.
necessidade de falar um milhão de coisas, mas o nó na garganta não deixa.
me diziam que enxaqueca era a preguiça de fazer qualquer coisa útil.
aproveitando a falta de vontade de fazer qualquer coisa para contar os cabelos que caem.
nos olhamos. sabíamos que era um amor proibido, entretanto nos entregamos aos nossos desejos de nos matarmos juntos.
desafio: escrever um microconto fictício de uma história de amor e ódio que levou ao suícidio de ambos em 140 caracteres
um enjôo de palavras. devo vomitar?
as frases esquecidas, o sorriso mais bonito e todos os botões de flores que te dei estão guardados na gaveta.
se eu fosse um telecine, certamente seria o pipoca. tento traduzir-me em meras dublagens todo o tempo.
o temor de parecer mau pelo parecer ridículo
depois de tanto,lirismo,olhares e não-olhares,literaturas divididas, sensações em comum diante de algo é que ele se deu conta.
necessidade de falar um milhão de coisas, mas o nó na garganta não deixa.
me diziam que enxaqueca era a preguiça de fazer qualquer coisa útil.
aproveitando a falta de vontade de fazer qualquer coisa para contar os cabelos que caem.
diálogo imaginário entre canções
"minha doce dor se esconde por trás de um sorriso."
-sabe, achava bonito andar cabisbaixo antigamente, ter a coluna encurvada e os tênis encardidos.
-tolices.
-pensava que a poesia se escondia por trás disso.
-vai saber.
"vai minha tristeza."
-ando meio cansado de fazer projetos.
-não deveria?
-queria largar essa mania do inacabado.
-seria o tosco?
"domesticaram minha felicidade. verdade."
-entre novas idéias, tem me restado o nada.
-nunca foi diferente.
-ao menos tenho gostado das mudanaças.
-de regar o jardim?
"a esperança é a última que morre. tenho um amor."
-sabe, achava bonito andar cabisbaixo antigamente, ter a coluna encurvada e os tênis encardidos.
-tolices.
-pensava que a poesia se escondia por trás disso.
-vai saber.
"vai minha tristeza."
-ando meio cansado de fazer projetos.
-não deveria?
-queria largar essa mania do inacabado.
-seria o tosco?
"domesticaram minha felicidade. verdade."
-entre novas idéias, tem me restado o nada.
-nunca foi diferente.
-ao menos tenho gostado das mudanaças.
-de regar o jardim?
"a esperança é a última que morre. tenho um amor."
9 de dez. de 2009
não conseguia dormir, mas isso não me surpreendia nem um pouco mais. tirando o fato de não ter sono a noite, desconfianças giravam, problemas eternos, o de sempre. escutava carla bruni (quebrando preconceitos - agora digo que é ótimo), o filme da madrugada não era dos piores, conversas bacanas. distrações não me faltavam. por incrível que pareça, a noite não estava tão monótona. mas me sinto só. não sei o que fazer. e essa solidão me dói tanto.
4 de dez. de 2009
vermífugo matando
era o nó nas entranhas que não me deixava vomitar. sempre entediado, olhava para o relógio que girava ao contrário. escutava uma música que dizia "eu queria saber como foi o seu dia", senti falta do centauro e do meu jardim florido. minha gengiva inchada, as costas e a cabeça sempre doídas. o peito que sempre ronca. meu maço de cigarros vazio. tanto faz, meus fósforos também acabaram. não sei explicar o porquê, mas eu só durmo quando os pássaros já cantam. tentava compor uma música, mas as melodias soavam sempre repetitivas. monotonia. simulava sonhos, mas nada mudava.
27 de nov. de 2009
sobre cartas e aulas de estatistica
Ele olhava curiosamente como ela reescrevia todas aquelas folhas, tantas linhas, tantas palavras. Será que diriam algo pra alguém? Ele sabia que ela gostava de cartas. Gostava de receber e escrever cartas. Todos os dias ela olhava a caixa do correio pra ver se novas chegavam. Ele só achava engraçado. Ele não gosta muito de cartas. Sabe como é, mania do eletrônico, mania de olhar nos olhos, por mais que ele não consiga fitar por muito tempo. Aquela aula passava, ele tentava se concentrar, mas tentava ainda mais imaginar tudo que havia escrito. Claro que o narcisismo costumeiro estava presente. Ele gosta de ser visto. Era bonita a forma como ela escrevia, ele gosta daquela cara de concentração, ainda prefere o sorriso, mas gosta. Ela sempre morde acaba mordiscando o lábio inferior quando escreve, ela sempre coloca as folhas a sua esquerda e se curva sobre elas, ela sempre passa a mão sobre as folhas após escrever um pouco, como se dissesse “é isso mesmo que devo estar escrevendo?” Nunca espera a resposta e segue manchando de caneta novas linhas. E ele sempre se lembra que seus envelopes sempre diziam todo o conteúdo das cartas. A mensagem já poderia ser avaliada pelo envelope, pelas cores do envelope e pelas cores da caneta que escreveram o envelope. Engraçado também era notar o quanto da carta estava riscada. Já dizia tudo. Ela gosta de cartas. E ele acha isso bonito.
22 de nov. de 2009
21 de nov. de 2009
poeta andarilho
no papel é descompassado
seus passos dão o ritmo
suas pisadas dão a rima
sua pena é urbana
sua pena não é de ganso
sua pena é de morte
seus passos dão o ritmo
suas pisadas dão a rima
sua pena é urbana
sua pena não é de ganso
sua pena é de morte
20 de nov. de 2009
volúpia
e tu usava aquele vestido colorido.
pouco importava.
tu dizia que eu não gostava.
pura implicância.
tu gosta de implicar,
eu acho engraçado.
as roupas logo se espalharam,
a cama fazia barulho.
tu reclamava.
minha conversa póstuma,
agora eu abreviava.
teu sono sono póstumo,
agora falava.
o riso e a diferença.
as flores no meu corpo.
a pressa desgostosa.
as carícias se tornam apertos.
eu suava.
tu ria.
e logo tudo se tornava líquido.
eu não me importava.
volúpia.
queria a flor, a pena barulhenta e o cachorro cor-de-rosa.
tu gosta das cores de almodóvar.
os braços estão roxos.
eu gosto do colorido do teu corpo.
pouco importava.
tu dizia que eu não gostava.
pura implicância.
tu gosta de implicar,
eu acho engraçado.
as roupas logo se espalharam,
a cama fazia barulho.
tu reclamava.
minha conversa póstuma,
agora eu abreviava.
teu sono sono póstumo,
agora falava.
o riso e a diferença.
as flores no meu corpo.
a pressa desgostosa.
as carícias se tornam apertos.
eu suava.
tu ria.
e logo tudo se tornava líquido.
eu não me importava.
volúpia.
queria a flor, a pena barulhenta e o cachorro cor-de-rosa.
tu gosta das cores de almodóvar.
os braços estão roxos.
eu gosto do colorido do teu corpo.
17 de nov. de 2009
Crise de atenção
Jocasta, a máquina, furtivamente demonstrou seu desgosto por ser comentada. Enquanto falava com a namorada bê, a qual ela morre de ciúmes, ela se debatia, queria atenção. Simplesmente ignorei-a. No exato momento que escrevia sobre Jocasta, ela começou a se debater mais forte, empurrava a geladeira, esta também a ignorava; seu amaciante tinha acabado e eu não iria dar mais. Depois de usar todas as artimanhas possíveis no seu espaço limitado pelo alcance do fio até a tomada, decidiu partir para o jogo sujo e apelar para táticas nada respeitáveis. Forçou tanto até que o cano que ligava ao tanque se soltou, inundando toda a casa. Ela nadava risonha. Um sorriso de uma calcinha amarela, um par de meias branca e uma meia preta.
Maldita máquina, duas semanas desligada, sem omo e nem amaciante. Não aprende por bem, vai na marra.
Maldita máquina, duas semanas desligada, sem omo e nem amaciante. Não aprende por bem, vai na marra.
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