29 de jan de 2012

Os porquês de ter uma menina ruiva

Se eu tivesse uma menina ruiva, minhas manhãs não começariam tão tarde, pois não perderia de vislumbrar um amanhecer de verão com a luz do sol que cresce refletindo no seu corpo. Me acordaria vagarosamente, observaria se o lençol ainda recobre seu corpo. Lentamente o colocaria de lado para que a beleza de suas curvas transparecesse no dia que principia. Por isso o amanhecer deve ser de verão. Passo por passo, me aproximaria do cordão que suspende a persiana e abriria folha por folha para que o ruído não a despertasse. O céu ainda estaria negro, mas, na divisão do horizonte com o mundo dos homens, luzes alaranjadas explodem e chamamos de aurora. Aguardaria pacienciosamente que toca a luz solar cobrisse o céu. Após o seu corpo ser coberto pelos primeiros raios de calor, faria um ruído bem de leve, um assobio, um acorde de bossa nova no violão como aquele que principia Wave de Tom Jobim; para ver-te espreguiçando com o novo dia que renasce. Ela faria uma careta e logo abriria o sorriso bonito que as meninas ruivas guardam no fundo dos olhos. Eu sorriria sem mexer os lábios, mas, sim, sorriria.

Se eu tivesse uma menina ruiva, sairia com ela para comprar dessas pequenas caixinhas de madeiras e tinta para colorir. Faríamos desenhos festivos de natal e páscoa e distribuíriamos para os parentes que menos gostamos. Também poderia comprar muitas telas, tintas, pinceis para usar como desculpa para jogar tinta um no outro e sujar toda a casa.


Teria um bom fígado, se eu tivesse uma menina ruiva. Não precisaria acabá-lo com um gim, uísque com duas pedras de gelo, cuba libre, mojitos ou o que os valham. Estar nos seus braços me embebeceria e seria a fuga que busco em copos infinitos. Sim, beberia, mas ao dividir as taças com a sua boca, traria um sabor diferenciado ao paladar deixado pelo seu hálito doce nas bordas.

Leria os romances clássicos, se tivesse uma menina ruiva. Não me chatearia com o descritivismo exagerado, com a prolixidade, com os diálogos formais ou com a distância com a realidade. Conseguiria nos imaginar em cada cena altamente descrita nas páginas amareladas e seria cativado pela trama.

Ah,onde andará a menina ruiva?