31 de mai de 2011

Poesia

Com leves movimentos repetitivos,
sentia adentrar-se dentro de si o derradeiro desejo.
Desejo fugaz,
anseio costumeiro.

A agitação tocava-lhe amplamente
em pequenos gestos conhecidos.
O pleno controle
era impossível.

Pelo pequeno canal uretral,
percorria o líquido viscoso,
que postumamente
chamaria regozijo.

O auto-aperfeiçoamento
lhe ensinava
em poucos gestos
o abandono da castidade.

A palavra lhe cortava a garganta
esparramando-se pelo ar
e o calor de seu gozo
se espalhava pelo lençol.

A êxtase de sua palavra
era tocar-se em pontos certeiros
como clitóris
e o torpor se esvanece.

25 de mai de 2011

Bonsoir les choses d'ici bas

Ando desesperado, bem sei. Sei também e tão bem o exaspero que me conduz a tamanho desespero. Pouco sei como controlá-lo. Falo alto demais e gesticulo teatralmente para expelir todo esse medo que carrego. Ao fitar-te se aproximando, baixei a cabeça para que o semblante atônito estampado em minha face não transparecesse tão claramente. Fingi despretensão em lugar de permitir o instinto animalesco de uivar como lobo ao notar a lua tão evidente. Trouxeste-me uma fita rosa, em contrapartida, que dizia Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago,  pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas". A ternura demonstrou-se profunda e envergonhei-me diante de tal gesto de apatia. Senti-me desarmado diante do seu encanto. O convite tímido emitiu-se espontaneamente e sorrindo tu me costuraste mais uma ruga. Como bambu verde, vomitava verboarragias tolas tentando externar meu profundo desalento. Não ansiava por palavras de conforto. Queria tocar-te unicamente. Toque este simbiótico para que meu desespero adentra-se teus poros e teu conforto contruísse meu Ser.