19 de fev de 2010

metalinguística

para escrever um poema,
pensava sobre o maldito tema
que o tornaria uma obra ímpar.

sempre tentei falar de amor
que nunca consegui não aliar a dor,
mas, dessa forma, esse era sempre tratado.

outrora falava de mim,
das minhas frustrações em encontrar um fim
acabei me cansando.

banalidades já foram ditas,
por vezes até escritas,
mas sempre me impressionaram.

busquei inspiração no bandeira,
de minha autoria só saiu asneira
e eu seguia no meu impasse.

recorri aos poetas estrangeiros,
não consegui nem alcançar seus cheiros
quem dirá poetizar.

acabei me recostando no travesseiro
o sono me alcançou ligeiro
e a pena ficou de lado.

8 de fev de 2010

em dias de chuva e sol

e não é que com o final da tarde veio o sol? uma pontinha de sol.
andava em um tempo de não entender metafóras sendo que era o que mais procurava.
andava nervoso, um pouco ansioso. pensava mil vezes antes de escrever algo e mesmo assim não conseguia passar o que sentia.
a chuva veio dessa lado, do outro também.
o calor foi embora, mas o que ele buscava era o calor.
o calor do sol andava demasiado, mas certa noite sentiu o calor da lua.
procurava fios de cabelos pelo lençol branco.
mas de que me adianta o sol bater na minha janela e formar um arco-íris se a lua não me aparece pela noite?
hoje entendi o que o tom chamava de "inútil paisagem."

7 de fev de 2010

ele se impediu de escrever o que tinha ganas, como dizem os argentinos.

sobre tropicalias e dias ensolarados

era um tempo de mudanças, ele sabia.
viu que não eram frios os quarentaetantos graus santamarienses.
tinha vergonha de suas costas molhadas e de sua estatura.
vezenquando tinha um pouco de orgulho de algumas coisas.
ele olhou para o prédio moderninho enquanto caminhava pela rua.
na primeira noite só deixou a timidez de lado tardiamente.
na posterior ele a esqueceu em casa.
passava bons momentos entre amigos. andava precisando.
ausentou-se na busca de um belo sorriso e olhos de cores que ele não conseguia definir.
tentava manter a postura. muitas vezes não conseguia.
comprou uma garrafa de água. fórmula do auto-controle em meio a noitadas.
fez um dia bonito e ele pode ver o sol se levantando.
disse que gostava de dias ensolarados. ela riu.
ele matutava sobre entregas e possibilidades.

4 de fev de 2010

fragmentos de sapos viciados em cafés

meu passado me condenava,
entre mistérios e esperanças se escondia.
meu futuro é duvidoso,
não tenho grana, mas tenho dor.
desistiu da terapia.
não gostava das boletas e andava cansado de falar de si mesmo.
aparentava ser um sapo.
sabia que escondia por debaixo do seu manto a si mesmo.
numa esquina qualquer encontrou uma máquina de café.
duplo e sem açúcar.
não gostava de açúcar, precisava de um equilíbrio entre seu grude renegado e o café amargo.
pensou melhor e resolveu fazer um novo pedido
apalpou os bolsos mas sua última moeda havia caido no bueiro.
ele deu de ombros e se foi.